Quarta-feira, Setembro 14, 2005 - postado às 22:50. Link!
Boletim de Ocorrência da égua sequestrada

O título parece manchete do extinto Notícias Populares, mas o caso é totalmente verídico. Antes disso pretendo contar uma história, dessas que acontecem com todo mundo mas só dói quando acontece com a gente - ou, no caso, com gente que a gente gosta.

Já é sexta-feira, uma da madrugada. Saindo da casa da namorada, quatro menores de idade vestindo boné e blusa de moletom se aproximam e o faz pensar instantaneamente: "Tou ferrado". Um deles, mais agressivo e decidido, aponta a pistola cromada para a sua cara, e anuncia o assalto. Ele não esboça reação, entrega o que tem nos bolsos e vê os quatro partindo em disparada com seu carro, em direção à favela vizinha.

O carro não tinha seguro, pois ele não ganhava o suficiente para pagar. Tem 20 anos, trabalha há 4 no mesmo local, nasceu em família com hábitos humildes e trabalha praticamente para juntar o suficiente para o financiamento. Ainda tem um carnê do aparelho de CD que instalou no mês passado e parcelou em 10 vezes. Provavelmente, virará pó ou pedra.

Ele irá trabalhar pelos próximos 2 anos pagando por algo que não tem. E é apenas um garoto.

Recebo a ligação no meio da noite, ouço seu desespero e saio para ajudá-lo. Encontro-o próximo ao local do roubo e vamos para a Seccional de Osasco, no número 300 da Marechal Rondon, um lugar totalmente desconhecido para mim. Mal iluminada, a delegacia chama atenção pela fachada azul anil. O ambiente é o mesmo que você já deve ter tido o desprazer de conhecer: paredes sujas, folhas coladas com durex por todos os lados, tubulações improvisadas pelas paredes, fios pendurados desalinhadamente pelos tetos. E aquela clássica mesinha de fórmica amarelada consumida pelo tempo.

O Renê, jaqueta preta de nylon e trabuco na cinta, pergunta o motivo pelo qual adentramos o local e o avisamos do assalto. Ele parece preocupado e toma decisões "rápidas": anota a placa e o modelo do carro num teco de folha sulfite. E aí nos pede para aguardar um momento, pois há um caso na frente. E esse é o caso da égua sequestrada.

A menor de idade, de vestido de tecido simples e aparência humilde, se vê acuada pelos policiais, por um brutamontes e por um magrelo bêbado. O Brutus, que parece ser uma pessoa de bom senso, dá o ultimato: ou devolve a égua ou vai engrossar. Diz que vai entrar com processo e ela vai se ferrar. Os policiais tentam aliviar a pressão, há uma pequena agitação. A garota nem se move, e permanece olhando para o infinito. Um dos policiais murmura que ela já "tem passagem", e o Brutus faz olhar pensativo. O delegado avisa que um processo desse tipo demora muito tempo pra se desenrolar. Sabendo da lentidão característica da nossa justiça, morrerão duas gerações de égua até que essa sequestrada seja devolvida ao seu dono.

Eis que o Renê nos chama para a elaboração do B.O. e eu perco o fim da história. Que fim terá levado a égua? Será que a garota a devolveu ao seu dono? Ou será que diante da miséria e da fome, a égua teria sido o ingrediente principal de um delicioso churrasco?

Entramos na saleta do policial Soares, escrivão. A sala é revestida por placas de fórmica que imitam a textura de madeira, possui boa iluminação, tem duas cadeiras estofadas e dois sofás de curvim. Um radinho ao lado da impressora matricial toca, ironicamente, uma música de Gilberto Gil. "A paz... invadiu o meu coração..." Nova Brasil FM.

Soares senta à frente do computador e vai nos perguntando o ocorrido. Descrição dos meliantes? Como foi a abordagem dos indivíduos? O que subtraíram do veículo? Discretamente, olho para seu computador e percebo que não há nenhum cabo de rede que o conecta a um servidor central. E aí vem a sensação de que o serviço público desse país não se conecta a lugar algum. Com plexto desco nexo.

(continua)
- postado às 22:50. Link!
Cê já percebeu que todo mundo dá uma freiadinha quando passa por um radar eletrônico, mesmo que esteja abaixo da velocidade permitida?
Sexta-feira, Agosto 26, 2005 - postado às 19:49. Link!
Reflexos

Se Deus existe? Ainda não consegui saber como a política funciona, ou como funciona o mercado de ações, ou menos ainda como as mulheres pensam.
- postado às 00:59. Link!
Ceis já perceberam que no mês de agosto cai avião pra dedéu? Dê uma olhada:

Agosto/2005: Acidente de avião no Peru mata 40.
Agosto/2005: Avião acidentado na Venezuela mata 160.
Agosto/2005: Avião bate contra montanha e mata 121 pessoas na Grécia.

Será algum fenômeno atmosférico? Alguma inversão dos pólos terrestres? Ou será que tudo que sobe desce de uma forma ou outra? Heim, heim?
Segunda-feira, Agosto 01, 2005 - postado às 01:19. Link!
Matrix Reloaded numa hora dessas?

Lendo o blog do admirável Marmota, percebo que Matrix foi um filme que realmente marcou a nossa época, seja pelos efeitos especiais inovadores e revolucionários ou pela pseudo-filosofia-religiosa embutida na trama. Nada de muito sério ou profundo, mas um dos melhores filmes do gênero de ação que já pudemos assisitr. Tudo em nome da diversão. Eu, como parte integrante da história contemporânea, também não fico atrás e aponto Matrix como um dos filmes mais marcantes dos últimos tempos.

Porém, apesar de ter gostado muito da primeira parte, o Matrix que eu gosto é o Reloaded. Mesmo sem a "profunda" dissertação filosófica, acredito que Matrix Reloaded foi o filme mais surpreendente e empolgante que já assisti no cinema.

Lembro-me que fui assistir o filme logo na sexta-feira, dia previsto do lançamento da esperada continuação. Eu e mais algumas centenas de maníacos por Matrix esperamos pacientemente na enorme fila para conseguir um bom lugar na sala. Consegui um lugar ótimo, numa poltrona bem no centro. Providenciei um saco de pipoca e aguardei o início da exibição.

Logo no início do filme, Neo consegue se desvencilhar dos agentes com habilidade impressionante. Ouviu-se alguns burburinhos na sala. E quando Neo é emboscado por uma centena de agentes Smith clonados, toda a sala crava os olhos na tela. A música frenética eleva os níveis de adrenalina, a beleza visual completa todo o campo de visão, os movimentos impossíveis de Neo são fantasticamente belos. Seu sobretudo-capa e seus movimentos com o bastão bailam diante de uma câmera alucinante. Alguns espectadores não conseguem conter a empolgação e soltam gritos entusiasmados, como "putz", "caraca" ou "putaqueopariu!".

Depois de alguns minutos angustiantes, lutando como pode com os clones, Neo é sufocado pelos agentes. E, milagrosamente, reúne forças e sai voando num pulo espetacular, borrifando inimigos engravatados pela tela como nunca visto antes. A sala de cinema toda grita de empolgação, batendo palmas.

Confesso que nunca havia presenciado coisa igual. Naquele dia, a sala virou um estádio de futebol aonde todos torciam fanaticamente por um cativante personagem projetado na tela. E eu, felizmente, tava lá, presenciando um momento incrível e inesquecível.
Quarta-feira, Julho 27, 2005 - postado às 00:18. Link!
Pimenta faz bem pro coração

- Pimenta é uma delícia, né? Adoro pimenta, cara!

- Pô, eu também, mas é foda. Me ataca a hemorróida.

- É, tem que ficar esperto. Mas cê sabia que pimenta faz bem pro coração? O negócio faz um bem danado, cara!

- Coração? Como assim?

- Pois é... A pimenta causa hemorróida porque tem uma substância vasodilatadora. Cê come, alarga as veias lá de baixo e aí já era. Mas essa dilatação faz bem pras veias do coração.

- Porra, não sabia disso! Vou começar a comer mais pimenta então!


(De duas, uma: ou o cara morre do coração pela ineficiência do método, ou morre com uma hemorragia no ânus.)
Quarta-feira, Julho 13, 2005 - postado às 20:14. Link!
Tão de olho

Parece que encanei com o história de fiscalização, ou vai ver tou com mania de perseguição. É que hoje, exatamente após dois meses de ter escrito um texto sobre o assunto, tive um contato próximo com a máquina do CET que faz leitura eletrônica das placas dos carros. Pra ser mais exato, vi duas vans equipadas com o equipamento, posicionadas nas marginais Tietê e Pinheiros.

Fique esperto. É a tecnologia a serviço da indústria da multa.
Segunda-feira, Julho 11, 2005 - postado às 20:27. Link!
Brincando de Deus

Se eu fosse Deus, melhoraria apenas duas coisas no universo: a chuva e o dente.

Pra que chover de dia? E o pior: pra que chover justo na hora do almoço, atrapalhando trabalhadores assalariados como eu e, provavelmente, você? Não tem cabimento. Deus deveria inventar a chuva programada para chover somente de madrugada, quando a maioria dos seres humanos está dormindo. Um tempão desperdiçado que poderia ser utilizado para a "lavagem" diária do planeta. Assim, não seríamos pegos desprevenidos sem guarda-chuva, e não apareceríamos para trabalhar como se parecêssemos sobreviventes de um dilúvio, com cabelos lambidos e roupas encharcadas.

E eu melhoraria o projeto "dente". Dente no ser humano é ridículo, muito mal planejado. Não nascemos com eles, e eles só aparecem depois de algum tempo. Aí, com 6 anos, eles caem e dão lugar a outros maiores - e, normalmente, chegam entortando toda a mandíbula do indivíduo. Aí precisamos colocar aparelhos corretores para alinhá-los. Quando os tiramos, percebemos o estrago provocado pelo acúmulo de sujeira e cola. Cáries por todos os cantos da boca, e lá vai a broca - ridícula broca - do dentista cavucá-los. E nem vou comentar sobre a enervante anestesia e as mordidas involuntárias na língua e lábios.

Pois meu dente, enquanto Deus criador do universo, teria um projeto inovador. Ao invés da complicada trama de nervos e esmalte, eu simplesmente faria nascer um osso inteiriço no lugar das arcadas dentárias. Ou melhor: usaria o expertise utilizado nos dentes do tubarão no ser humano, de forma que houvessem umas dez dentições durante toda a nossa vida. Muito mais eficiente do que nossos mastigadores atuais.

E pra completar: os dentes cairiam durante à noite. E, à noite, de acordo com meu novo projeto, estaria chovendo. Sempre, e invariavelmente.
Segunda-feira, Julho 04, 2005 - postado às 20:24. Link!
Este blog não está abandonado. Só estou achando difícil unir idéias (boas o suficiente para serem escritas) com tempo vago. Daqui a pouco pego o jeito.
Quinta-feira, Junho 02, 2005 - postado às 00:22. Link!
"Dá pra chegar"

Nunca pensei ter de passar por isso, mas hoje debutei na arte da pane seca.

Pra quem não sabe, pane seca é o fenômeno ocorrido quando um idiota (como eu) acha que dá pra chegar até o próximo posto para abastecer, sendo que o marcador de gasolina está absolutamente imóvel em cima do número zero inscrito no painel. Neste caso, o paspalho (eu, de novo) teria, a título de "margem de segurança" do tanque reserva, cerca de 30 kilômetros para achar um posto de gasolina e solucionar o problema.

Mas não satisfeito com esta autonomia toda, ignorei os postos da Av. dos Bandeirantes inteira e decidi parar num da Marginal Pinheiros.

Não consegui.

Depois de parar no farol, o carro partiu engasgando. Ora parecia querer prosseguir, ora queria morrer. Transformou-se numa carroça. Para piorar, tive que me arrastar para a pista da direita e tentar proteger o automóvel de algum caminhão pesado que passava intermitentemente por ali.

O que fazer? A raiva que eu sentia por mim mesmo, por eu ser tão estúpido, não me serviria de nada naquela situação. Liguei o pisca-alerta, deixei a lanterna acesa, tranquei o carro, instalei o triângulo de segurança a 10 metros do carro e embarquei no táxi do Eduardo, que me levou até o posto mais próximo e me trouxe de volta para o veículo abandonado, por "apenas" R$ 16 com a bandeira 2 comendo solta.

Enfiei o bico do saco-plástico-bolsa-de-gasolina no bocal do tanque, e comecei a despejar a gasolina. Ela insistia em não entrar e acabou represada, como se negasse a entrar no tanque. Minhas mãos ficaram encharcadas, roupa respingada e a lataria do carro, provavelmente, manchada.

Sou um idiota, admito. E se serve de conselho, antes que seu carro avise que a gasolina chegou na reserva, corra para o posto mais próximo e evite sentir o que eu estou sentindo.
Segunda-feira, Maio 30, 2005 - postado às 00:26. Link!
Cão mercadoria

Hoje eu tentei salvar a vida de uma cachorrinha, a Duda. Tentamos reverter o quadro fatal de desidratação, mas foi em vão.

Seu "criador", que comercializa cães na feira do Parque Villa-Lobos, tratou de desmamá-la antes do tempo, separando-a da mãe e de sua ninhada. Foi vendida como tendo 45 dias de idade, mas os veterinários que a examinaram não deram 30. Foi vendida como não tendo doenças nem vermes, e dois dias depois verificamos que ela estava infestada de vermes.

Carlão, você é desumano. Seus animais não merecem ser vendidos pelas suas mãos.
Segunda-feira, Maio 23, 2005 - postado às 19:34. Link!
Shorts

Hoje, ao chegar em casa, senti um forte cheiro de vômito. Após procurar exaustivamente pela origem do odor, descobri duas bolotas de Cheetos Queijo escondidas atrás do sofá.

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É impressão minha ou ultimamente só anda passando filme chato no cinema?

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Abusados, de Caco Barcellos, parece Cidade de Deus escrito. Aí, a dúvida: será que o roteirista de CDD conhecia a vida no morro, ou será que o Caco se inspirou no filme, ou será que a impressionante vida dos bandidos cariocas é tudo igual?

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Sabia que a Globo pode tirar o seriado Chaves do SBT, para transmitir de madrugada? Sabia que a Ana Paula Padrão foi contratada pelo Silvio? Puxa, só soube agora. Preciso assinar Contigo.

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Previsão para a meteorologia para os próximos dias: vai esfriar.

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Ter disponível um gravador de DVD pode ser orgasmático. Ter um computador sem memória ram nem HD de bastante capacidade pode ser broxante.

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Você já percebeu que andam dando cartões em qualquer lugar? Na semana passada, ganhei um cartão exclusivo Extra Supermercados e um super Patropi Advantages. Em ambos não sei qual "advantage" levo.
Sexta-feira, Maio 13, 2005 - postado às 00:00. Link!
Sorria, você está sendo vigiado

Passo pelo guarda na rua de vidros fechados. Ele parece me olhar diretamente nos olhos, como se eu fosse suspeito de algum crime que nem sei se cometi. Pelo jeito de seu olhar, cometi um delito grave. Gravíssimo. Cedo, abro um pouco os vidros insulfilmados, ele me fita novamente, pensativo. E como se recebesse um espírito vidente, adivinha que eu tenho um bom álibi e acena para que eu passe, livrando-me da pena a que eu teria que cumprir.

Me sinto nú nos dias de hoje. Em tempos de paparazzis que fotografam e contam a vida de qualquer pseudo-celebridade, qualquer um pode se tornar uma Ruth Lemos num refresh da internet. Vai que alguém me filma escondido numa situação constrangedora e bota esse vídeo na internet, e aí ferrou. Tou na boca do povo e nem sei porquê.

Lembro-me que, quando moleque, adorava ir ao supermercado. Era só minha mãe virar as costas e lá estava eu abrindo um saco de balas, comendo um Baconzitos ou tomando um yogurte. Discretamente, claro. Minha técnica era apurada e precisa, numa fui pego em flagrante. Já tentei repetir a brincadeira hoje em dia, mas é impossível. Além das câmeras espalhadas pelo teto, há ainda umas etiquetas indesgrudáveis que fazem soar alarmes e fazem surgir seguranças trogloditas. Melhor não arriscar.

Namorar no elevador do seu prédio, nem pensar. Ou você se comporta no cubículo ou corre o risco de ver o filminho com cenas picantes na próxima reunião de condomínio. Os protagonistas: você e sua namorada.

Outro dia achei uma nota de R$ 50 na escada rolante do shopping: quase não acreditei que aquilo fosse verdade. Ressabiado, abaixei, peguei a nota e tive que conferir se não havia nenhuma câmera escondida do Faustão, do Silvio Santos ou do João Kléber. Pior: imaginava que o Sérgio Malandro armaria alguma coisa assim que eu entrasse no enquadramento da câmera. Por felicidade minha, não havia câmera alguma. E por infelicidade de alguém nesse mundo, fiquei mais rico às custas de uma desatenção.

Fui declarar o imposto de renda deste ano e não tive coragem de lançar meu caixa dois em "rendimentos não tributáveis". Dizem que a receita anda fazendo varreduras cada vez mais poderosas nos dados informados, e as multas não compensam o risco. O leão tá de olho.

Hoje li que estão usando no Brasil uma câmera inteligente nas ruas e rodovias, dotada de OCR, capaz de ler a placa dos carros. Ela identifica o automóvel, faz uma pesquisa nos registros dos departamentos de trânsito, delegacias e seguradoras. Se você estiver devendo IPVA, a engenhoca avisa o guarda mais próximo do local e você, certamente, levará uma multa. Você nem terá chances de oferecer um "agrado" ao cidadão, pois o olho mágico documentou o delito.

E é bom nem comentar sobre os aparelhos celulares que andamos nos bolsos. Escravizados pelo status das telinhas coloridas e ringtones melodiosos, o cidadão tornou-se um ser rastreável, encontrado aonde estiver. Trabalhando? Dormindo? Cagando? No motel? No pesque-pague? Não importa, o vibracall vai funcionar e você não poderá fugir.

Com tanta tecnologia à serviço da espionagem, está chegando o tempo em que o Big Brother vai perder a graça. Ou, quem sabe, as coisas mudem a tal ponto que assistiremos 12 pessoas trancadas numa casa, livres de qualquer tipo de controle eletrônico, a não ser o das câmeras. Aí o cidadão, ao olhar para a câmera, dirá que está experimentando sua maior sensação de liberdade que jamais experimentara em toda a sua vida.

Fique de olho, amigo.
Terça-feira, Maio 03, 2005 - postado às 23:41. Link!
Devo ter deslocado o ombro. Pusta dor infernal. Acho que vou desistir de me transformar em Rambo.

Só vou praticar esportes daqui por diante: sinuca, dardo e bingo são os mais cotados.
Sábado, Abril 23, 2005 - postado às 16:57. Link!
A moda fitless nas academias

Logo que parei de fumar decidi recomeçar, finalmente, as minhas atividades físicas. De tanto ouvir falar dos seus benefícios e de tanto ler a respeito das maravilhas da ginástica, comecei pegando leve. Na minha primeira seção livre de nicotina no sangue, consegui correr durante 4 minutos sob a esteira rolante que comprei no Extra. Para mim, aquela marca tornou-se um recorde, merecedor de medalha de honra ao mérito. Quatro minutos ininterruptos de corrida para um gordo ex-fumante sedentário? Sem dúvida, foi um recorde. E o fato de meu pulmão não ter sido cuspido longe é outra coisa merecedora de troféu.

Depois de suar e doer muito, consegui encontrar minha forma física. Matriculei-me numa academia "profissional", que prometia equipamentos de última geração, personal trainers, orientação nutricional e o diabo a quatro. Eu realmente começava a me empolgar com a idéia de ter um corpo parecido com os dos galãs das novelas da Globo, apesar de aquela maldita gordura localizada na pança não querer sair dali de jeito nenhum. Decidi que iria me dedicar às atividades aeróbicas, aos halteres, e às corridas.

A primeira coisa que fiz foi comprar um enxoval adequado para a prática das atividades: duas bermudas, duas meias e... e foi só. Fiquei constrangido de entrar numa loja de esportes, com todas aquelas mulheres sinuosas e musculosas, com aqueles moleques de camiseta regata com bíceps à mostra. E todos, sem exceção, sem barriga de cerveja. Naquele dia tomei uma decisão muito importante para os meus treinamentos: deixei de tomar cerveja para beber vodka. Menos calórica, mais "concentrada", não deixa bafo e não precisa ir toda hora ao banheiro.

Pois estreei no mundo dos bombados. Subi na esteira, vestido com uma camiseta Hering branca, um short novo, uma meia nova e um tênis de corrida de R$ 130. Ajustei a máquina para 8 km/h e parti rumo a lugar nenhum.

Ao meu lado, um rapaz suando em bicas nem parecia sentir o efeito dos 14 km/h de sua esteira. Chegou a conversar com um colega que passou, apertaram as mãos e continuou correndo e suando.

Uma morena escultural, vestida com calça e top de Lycra, passou pela minha frente e não pude deixar de acompanhá-la com o olhar. Ela se debruçou sobre uma máquina, empinou a bunda o máximo que pôde e começou a exercitar seus glúteos, levantando as pernas e empurrando um peso incrível em três séries de 15.

Um gordo corta a minha visão, e eu penso "ainda bem que tem alguém do meu planeta por aqui". Ele anda estranho, meio que cambaleante, sobre suas pernas gordas. Seus tênis parecem ter de dez a quinze anos de vida, não consegui mensurar corretamente. Vem em minha direção. "Não, não vem queimar meu filme!", penso. Aposto que ele se identificou com o único gordo além dele naquele lugar. Felizmente, ele acaba subindo numa esteira ao lado do rapaz suante.

Passa outro rapaz. Este é bastante estranho, tem a barba por fazer, usa bermudas e tênis com cores fluorescentes, o cabelo ensebado. Usa pochete, e a julgar pela sua aparência, só posso acreditar que ele esconde ali alguns gramas de maconha ou haxixe.

Uma mulher, loira, aparentando ter quarenta anos. Usa faixa na cabeleira encaracolada e curta. Lê o novo livro do Paulo Coelho enquanto pedala nas ergométricas. De vez em quando, ajeita os cabelos e dá uma olhadinha em volta. Aposto que é pra saber se tem alguém olhando para ela. Só pode estar fazendo pose de intelectual.

Outro homem, também aparentando quarenta anos. Pança sobressalente, usa regatas e tênis com amortecedores. Caramba, que tênis! Estufa o peito, passa pela morena que termina a série dos glúteos. Encolhe a barriga, que quase fica no mesmo alinhamento do peito. Tira um aparelho do bolso da bermuda, pluga no ouvido e começa a fazer exercícios para os braços. Caramba! Com aquela barriga e ele ainda tá preocupado com as braços?

Um jovem passa, cabelos com gel. Gel para exercícios, vai saber. Camiseta Nike, bermuda Nike, tênis Adidas, meias Adidas pretas. Dá pra sentir o cheiro do perfume francês. Sob a camiseta, uma cinta para medição dos batimentos cardíacos, de marca Suunto, que ele faz questão de mostrar para o colega. Mexe no relógio, faz uns ajustes, sobe na esteira, posiciona o Gatorade corretamente, apóia a toalha branca sobre a máquina e começa seu treino. Depois de três minutos de corrida, dá um golinho no Gatorade e consulta o pulso. Cinco e trinta, nova olhada no pulso. Seis e quinze, dois goles do suco. Sete e quarenta, parece sentir uma fisgada na coxa e desliga a máquina. Fim de treino para o atleta.

Minha esteira marca 35 minutos de corrida, e 5 km percorridos. Acho que é o suficiente por hoje. Enxugo a testa na manga da camiseta, arrumo minhas coisas e vou pra casa, pensativo. Me pareceu que poucos vão pra lá para realizar atividades físicas, mas sim para simular um ideal atlético.

Amanhã volto para mais 35 minutos de corrida. E se encontrar novamente aquele barrigudo do tênis legal, pergunto aonde ele comprou. Realmente, gostei daquele tênis com amortecedor de molas. E pensando bem, aquela pochete também seria bastante útil, pois eu poderia carregar as minhas chaves, o celular, carteira...
As coisas não são exatamente como parecem ser
Aqui tem coisa
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