"Dá pra chegar"

Nunca pensei ter de passar por isso, mas hoje debutei na arte da
pane seca.
Pra quem não sabe, pane seca é o fenômeno ocorrido quando um idiota (como eu) acha que dá pra chegar até o próximo posto para abastecer, sendo que o marcador de gasolina está absolutamente imóvel em cima do número
zero inscrito no painel. Neste caso, o paspalho (eu, de novo) teria, a título de "margem de segurança" do tanque reserva, cerca de 30 kilômetros para achar um posto de gasolina e solucionar o problema.
Mas não satisfeito com esta autonomia toda, ignorei os postos da Av. dos Bandeirantes inteira e decidi parar num da Marginal Pinheiros.
Não consegui.
Depois de parar no farol, o carro partiu engasgando. Ora parecia querer prosseguir, ora queria morrer. Transformou-se numa carroça. Para piorar, tive que me arrastar para a pista da direita e tentar proteger o automóvel de algum caminhão pesado que passava intermitentemente por ali.
O que fazer? A raiva que eu sentia por mim mesmo, por eu ser tão estúpido, não me serviria de nada naquela situação. Liguei o pisca-alerta, deixei a lanterna acesa, tranquei o carro, instalei o triângulo de segurança a 10 metros do carro e embarquei no táxi do Eduardo, que me levou até o posto mais próximo e me trouxe de volta para o veículo abandonado, por "apenas" R$ 16 com a bandeira 2 comendo solta.
Enfiei o bico do saco-plástico-bolsa-de-gasolina no bocal do tanque, e comecei a despejar a gasolina. Ela insistia em não entrar e acabou represada, como se negasse a entrar no tanque. Minhas mãos ficaram encharcadas, roupa respingada e a lataria do carro, provavelmente, manchada.
Sou um idiota, admito. E se serve de conselho, antes que seu carro avise que a gasolina chegou na reserva, corra para o posto mais próximo e evite sentir o que eu estou sentindo.